21 4 / 2013

A caminho do Príncipe Real, num autocarro cheio de pessoas, uma senhora teve a gentileza de ceder o seu lugar a um senhor mais idoso. Até aqui tudo bem. Mal ela se levanta, começa a aconselhar o “velho” a não sair de casa, para ficar a descansar num jardim ou algo do género. “Muito sinceramente”, dizia ela, “não percebo porque é que vocês tiram o lugar às pessoas trabalhadoras, que saem do emprego estafadas e que precisam de se sentar no autocarro.”, acrescentando ainda, “você já não tem idade para estas coisas”. Ora, eu não sabia que havia um limite de idade para se poder andar num autocarro, muito menos que as pessoas mais velhas não têm direito a sair de casa. Ao fim de ter feito o seu monólogo durante alguns minutos, a senhora agarrou nos seus sacos de compras e saiu do autocarro, muito revoltada e perplexa por alguém com os seus 80 anos andar de transporte público, a um sábado.

(um relato de Cláudia Barroso)

03 4 / 2013

instagram:

Instagram for Android: One Year Later

One year ago today we launched Instagram for Android. In less than a day, over a million people downloaded the app, and now nearly half of all Instagrammers use the Android app to share photos with friends, family and the world.

Instagram for Android has helped make this community more global than ever. Major events such as Brazil’s Círio de Nazaré festival, the 85th birthday of Thailand’s King Bhumibol, and a streak of severe thunderstorms throughout Malaysia have been captured by Android Instagrammers and shared to global audiences like never before. We’ve also seen Android Instagrammers contribute to the community in innovative and powerful ways, including @daveedgamboa’s incredible jumpstagrams around Southern California, photos of England’s beautiful Lancashire county from @adamgrayson and even a glimpse into the life of Kenya’s nomads from @grantsmind.

We’re working hard to make the app fast and easy to use, and we’re dedicated to always bringing you the best Instagram experience possible. So to all of our Instagrammers on Android, thank you for helping to make this community amazing. We’re glad you’re here.

Philip McAllister

Instagram Android Team

07 2 / 2013

House of Cards. Recomendo esta série. É um retrato norte-americano, muito bem conseguido, do poder político e das relações em torno deste. Tem o Kevin Spacey como protagonista; ele empresta o corpo a Frank Underwood, um sarcástico, calculista e inteligente congressista republicano que ambiciona a presidência dos EUA. (Os momentos em que Frank olha para a câmara e fala directamente com o espectador estão muito bem conseguidos, não falhando a sua integração com a história da série.) Nota-se que o House of Cards foi construído com cuidado: não é uma série fácil. Tem o carimbo de David Fincher, que integrou a equipa de produção e realizou os primeiros dois episódios. A primeira temporada conta 13 episódios de 50 minutos cada. Estreou nos EUA e em Portugal a 1 de Fevereiro.

22 1 / 2013

"A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir. E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável. Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer? podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar! A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável. Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de “boys”, criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas 16 e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos. Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público—privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos… Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos. Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia."

António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

03 12 / 2012

"A redução do número de passageiros não significa uma perda. O número de validações é que está a diminuir, mas os transportes estão cheios e existe menos um quarto de automóveis a circular. Não tendo desaparecido as pessoas, nem tendo havido um aumento de automóveis, significa que continuam a andar de transportes."

Sérgio Monteiro, o inocente Secretário de Estado dos Transportes.

23 11 / 2012

"Até aqui, boa parte dos portugueses pensava que o Presidente da República estava a meditar, a refletir sobre a próxima visita a Portugal da senhora já bem conhecida de todos, amada por muitos, a que carinhosamente os portugueses chamam de ‘troika’; outros estariam a pensar que o Presidente da República estava a refletir sobre se o aumento de impostos era enorme ou gigantesco; outros pensariam que o Presidente da República estava a refletir sobre os novos apoios que a chanceler Merkel podia trazer para Portugal na sua próxima visita ao país; outros poderiam estar a pensar que o Presidente da República estava a refletir sobre o que fazer relativamente às pressões de vinte corporações e mais de cem individualidades para que ele enviasse o Orçamento do Estado para o Tribunal Constitucional. Outros estariam a pensar que o Presidente estaria a refletir sobre o consenso político que foi possível estabelecer entre as forças políticas do arco da governação sobre a forma de realizar a reforma das funções do Estado, outros podiam estar ainda a pensar que o Presidente estava a refletir sobre se a transmissão televisiva dos jogos de futebol em canal aberto fazia ou não parte da definição de serviço público de televisão, mas agora, depois de ter quebrado o meu silêncio, os portugueses dirão que afinal ele estava apenas a refletir sobre a forma de evitar a sua presença na cerimónia de atribuição dos prémios Gazeta do Clube de Jornalistas. Se forem inquiridos digam que eu estive aqui mas não disse absolutamente nada, e que eu me comprometo a não colocar qualquer ‘post’ sobre o assunto na minha página do Facebook, deixo, por isso, antecipadamente o meu muito obrigado a todos."

Cavaco Silva (22 de Novembro de 2012)

22 11 / 2012

"Toda a gente sabe que, no dia 14 de Novembro, a polícia foi apedrejada durante hora e meia sem reagir. Toda a gente sabe que, depois disso, a carga policial cilindrou por igual manifestantes violentos e manifestantes pacíficos, passantes acidentais em S. Bento e alguns no Cais Sodré. Toda a gente sabe que as dezenas de pessoas detidas foram depois privadas de contacto com os seus advogados e submetidas a vexames em Monsanto. Toda a gente sabe que o ministro Miguel Macedo negou com solenidade a mesma existência de infiltrados que a PSP veio depois confirmar. A actividade dos infiltrados e a passividade da polícia, durante uma hora e meia, só podem ter servido para justificar aos olhos da opinião pública as violências e arbitrariedades policiais. Em última análise o plano só pode ter consistido em intimidar as centenas de milhares de pessoas que nos últimos meses têm participado em protestos contra o Governo e em dissuadi-las de voltarem à rua. Tudo teve os contornos de uma grande operação de guerra psicológica. Para continuar, nos dias e meses seguintes, a fazer render essa operação de guerra psicológica, o Governo quis lançar mão de todos os recursos. Entre eles, quis contar com imagens gravadas pela RTP. Aqui enganou-se. A cada passo que dava dentro da RTP, o pedido governamental tropeçava na resistência dos trabalhadores. A Comissão de Trabalhadores tomou desde o primeiro instante o seu lugar – e só o seu, sem ocupar o de mais ninguém – nessa espontânea resistência dos trabalhadores. Do primeiro ao último instante, insistiu para que fosse esclarecida toda esta história nebulosa. Uma parte das responsabilidades foi assumida pelo Diretor de Informação e pelo Conselho de Administração. Nada foi dito pela Direção Geral de Conteúdos. Um inquérito interno irá correr para apurar outras responsabilidades: o ministro Miguel Macedo deverá saber que nem nós somos figurantes da sua encenação, nem a RTP é uma manifestação onde possa colocar impunemente os seus peões infiltrados. E são estas as responsabilidades políticas que deverão ser apuradas por quem de direito. Não pode tolerar-se que Miguel Macedo, para efeitos da propaganda do Governo, induza ao crime – seja com as pedradas dos seus infiltrados, seja com pedidos de imagens que pressupõem uma violação da legalidade pela RTP. Não pode tolerar-se que homens de mão do ministro entrem na televisão pública como numa quinta sua, sem mandado judicial, para visionar e requerer cópias de imagens destinadas exclusivamente ao trabalho jornalístico. E não pode tolerar-se um Ministério da tutela que tolera toda esta intromissão e dela se faz cúmplice, por acção ou omissão. A hora é de apurar também as responsabilidades políticas."

Comunicado da Comissão de Trabalhadores da RTP (22 de Novembro 2012)

19 11 / 2012

"Birthday cakes are made for people to be together. They give friends a place to gather and celebrate. But too much cake probably isn’t healthy. So birthday cake is a lot like Facebook."

Facebook (moral da história: usamos o Facebook, mas sem exageros, sem postar demasiado, sem nos viciarmos nele).

17 11 / 2012

Quero ir a Silicon Valley. Quero visitar os escritórios do Facebook, do Twitter, da Google, da Apple… Quero conhecer o Mark Zuckerberg, CEO do Facebook. Quero conhecer o Zeinel Bava, CEO da Portugal Telecom. Quero conhecer o Miguel Gonçalves, fundador da Spark Agency. Quero conhecer outras mentes brilhantes e outros espaços criativos.

16 11 / 2012

"Porque, é bom que sobre isto ninguém tenha dúvidas, os governos de salvação nacional são também muito bons, pode-se mesmo dizer que são os melhores que há, lástima é que as pátrias só de longe em longe precisem deles, por isso não temos, habitualmente, governos de salvação nacional que saibam governar."

José Saramago (in A Jangada de Pedra, Julho de 1999)